domingo, outubro 10, 2010

Infinito Particular



Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

MARISA MONTE

segunda-feira, agosto 30, 2010

Feliz de Ser quem Sou

Poema escrito com 18 anos...o achei perdido em velhas anotações de amontoados pensamentos desenhados em garranchos expressivos que tentavam acompanhar a velocidade dos mesmos...

" Nestes momentos de solidão
Onde a meia luz me acompanha
E a saudade se assanha
Movendo sentidos estranhos

Nestes momentos onde a vida alcança
A semente do in do intro
Do fundo e profundo

O calor se expande pela nuca
Subindo às raízes do cabelo
Me fazendo sentir as vibrações
Das minhas palavras me envolvendo

E eu que pouco tenho
Ou pouco faço
Pelo que sinto
Pelo que acho
Posso hoje me dividir em mil pedaços
Para que através de espelhos
Vocês se encontrem,
Oh, palhaços,
Que existem em algum espaço
Seja me meio ou em todo pedaço:

Vamos dar risada
Acordar pra vida
Não é atoa que é colorida

Vamos pular brincar com o mundo
Fazer do amor um amor profundo

Vamos cantar, cantar bem alto
Fazer valer nossas palavras

Vamos voar brincar com o vento
E dissolver os nossos pensamentos

Vamos brilhar como as estrelas
E ofuscar as idéias pequenas

Vamos fundir a realidade
Contagiando com a igualdade

Vamos dançar nessa imensidão
Onde o rítmos são as batidas
As batidas do coração

Onde a alma tem a expressão do sol
Que dança através de raios
Atingindo a nossa consciência
E nos harmonizando com os irmãos planetários"

terça-feira, julho 06, 2010

Cuidem dos nossos Fruturos! ou seriam Frutos? ou seriam Futuros?

Naquele mesmo domingo, mas quando voltava da biblioteca, próximo à 13h da tarde, dia de sol bonito, de luz amarelada e brisa fresca de inverno, entro no ônibus para casa.
Estou entretida, quando de repente um pai puxa um menino de aproximadamente uns 4 aninhos pelo braço de forma agressiva...do nada.
O menino parecia um indiozinho, lindo, começou a chorar e pedir pela mãe...que estava perto, mas não olhava para a criança.
Não sei se era raiva do mundo ou desgosto da sua vida de infância, mas aquele pai começou a ameaçar o seu próprio filho com frases do tipo " cala essa boca!" " você ainda não apanhou, tá chorando por que?" " quando a gente descer você vai apanhar!" e quanto mais ele falava, mais o menininho chorava, e mais ele falava...
De repente eu não me aguentei, começou a vir trechos do poema de Elisa Lucinda, ' meninos são josé', rodando enlouquecidamente na minha cabeça... eu sabia que ele podia me xingar de puta pra baixo...mas eu estava disposta por aqueles olhinhos pretos enxarcados olhando pra mim.

Eu falei, de forma doce:
" Moço, não fala assim com ele, não...ele tá chorando...ele só quer um pouco de carinho, moço...

Ele me interrompeu, fez um gesto com a mão para que eu parasse de falar...e disse que era seu filho e quem sabia como educar, era ele...

A criança ainda chorando olhava para a mãe como quem pedia.

Comecei a chorar...junto com o indiozinho... e a olhar para a mãe também pedindo um apelo!
" Meu deus mulher, como foi que tu pariu?! Olha pra essa coisa mais linda sendo agredida, sem mais nem por quê "

Mas a mãe colocava o dedo nos lábios como quem diz "shhh" para a sua cria...talvez com medo também de ser machucada...

Eu olho para o menino e em seu rosto tem cicatrizes...perto do olhinho e da boquinha...
Ai se eu soubesse se era desse pai, juro que denunciava...
mas não sei...não sei de nada....
Só sei que eu intervi!
E não podia ser diferente!


Trechos do poema ' Meninos são José ':

" Toda criança me arrebata.
Toda criança, por me olhar,
me arregaça as mangas do amor,
morro de emoção. (....)

Eu fico com as pernas bambas
quando quem me aponta é uma criança.
(...)
José é todas as galáxias de meninos,
porque são só verdades,
límpidas eternidades,
futuros mundos.
Belas!

Tenho vontade de defendê-las
das injustiças dos ditos maiores,
dos esticados que,
aprisionados,
querem aprisionar.
Por todo o sempre e agora,
toda criança quando chora,
respondo: que foi?
Quem não te tratou direito?
( Toda criança quando chora
acho que me diz respeito)

Não mimem crianças em vez de amá-las,
para não adoecê-las,
para não encouraçá-las!
Não oprimam crianças na minha frente,
vou interferir, vocês vão se danar,
vou escancarar!
Não usem crianças na minha presença,
tomarei o partido delas,
não terão minha parcimônia,
não vou compactuar!
Não cunhem nelas a tirania,
eu vou denunciar!

SOU MATERNAL DO UNIVERSO
MIL CRIANÇAS CAMINHAM COMIGO!
SOU ÁRVORE CUJA SEMENTE
SE CHAMA UMBIGO.
AI...TODA CRIANÇA
QUANDO GRITA MAMÃE
RESPONDO: QUE FOI?
( ACHO QUE É COMIGO!)

Elisa Lucinda ( maravilhosa!)

domingo, julho 04, 2010

Bufão no Padrão

Saio hoje cedo de casa.
Brinco com o pitbull solitário, do prédio comercial à venda a quase um ano, e corro para pegar o ônibus que chega no ponto.
Estou ali distraída quando me percebo no mesmo ponto, na frente do Supermercado Padrão, de frente pra ela, do mesmo ponto: eu no ônibus, ela sentada na calçada.
Com uma sacola de plástico amarela, do próprio supermercado, na cabeça, ela olha sagaz quase rindo para nós...
Nós, seres comuns, vestidos e pagantes, sentados em nossas cadeiras ambulantes.
Mas ela sempre me chama atenção, mas não sabia exatamente...
"talvez o saco amarelo na cabeça, ou seu olhar sempre vivo na sua condição, como será possível?"
Mas hoje eu entendi.
Tirei um papel do bolso e escrevi.
Surgiu na hora, mais ou menos assim:

Bufão no Padrão

Ela olha com gosto
Os olhares cruzados
dos passageiros.
De repente,
ela é a sensação!
E o seu estado de mendicância
Se faz com um sentido maior
pelo reflexo...
"o que será que eles pensam
ao olhar para ela?"
Será que percebem que
ela escolheu um ponto de ônibus
para morar?
Onde tem distração diária
de rostos exóticos,
e curiosos por traz dos vidros.
E mais...
Estes rostos,
a cada ônibus que pára,
Finalmente,
olham pra ela.

sexta-feira, junho 25, 2010

Um Abraço

Uma Segunda-Feira. Uma turma de atores.
Faltando cinco dias para a estréia do espetáculo.
Começam a aquecer os corpos, para dar início a mais um ensaio:
- " Agora congela! Enraize os pés na terra. Abra os braços como quem diz: vem! vem pra mim! Estabeleça um olhar com outro. Encontre os olhos do seu colega e vá na sua direção e o abrace! Forte!"
Mas a turma é de número impar!
Alguém vai ficar de fora!
É...neste dia fui eu.
Percebi os olhares se encontrando, um a um, e o meu fálico olhar não achava nenhum receptáculo.
" Justo hoje, meus deus!" pensei. Esses dias que a gente chove por dentro, sabe? E que se tivesse colo de mãe ou de vó, ficaria fácil sacodir a poeira...
Mas minha mãzinha tá longe, como da maioria que vem pra essa cidade grande,
E a minha vózinha também segue vivendo na minha terra natal...
Mas foi neste instante em que todos os abraços se encontraram e me vi só, ali parada no vácuo, de braços abertos, que só me restou uma coisa:
Envolver o meu corpo nos meus braços...
meus pensamentos convergiram para o carinho que eu poderia me dar...e o quanto eu posso também cuidar de mim agora...
Naquele exato instante ouvi a risada de alguém que me observava no exílio de sua própria sensibilidade...
Tive vontade de chorar.
De repente
Sou surpreendida por um dos mais incríveis abraços que já conheci
Era forte, envolvente, negro, robusto, sensível, protetor, aconchegante...
Me arrancou sem cerimônias as lágrimas teimosas de meus pequeninos olhos...
Desaguei feliz...
Brilho o peito ao dizer que:
Era o amor me abraçando!
e eu me entreguei!
Não é que justo neste dia havia faltado um colega.
Que bom...
Estávamos em número par.

domingo, junho 20, 2010

31 de outubro de 2007

" Sinto a realidade
Bater em mim como
As ondas batem na pedra

Tentando furá-las a
qualquer custo.

Eu não quero mais ser a pedra.

Quero ser o pássaro
que pousa na pedra

E quando a onda bate
Ele vôa..."

Poema escrito por mim, nos meus primeiros 7 meses morando sozinha em São Paulo.
Mas seguido ele se torna presente.

quinta-feira, junho 03, 2010

Primeira Postagem

Olá experiência primeira,
Teclados macios com sons de sapatinhos de salto.
Tanto a dizer, tanto a revelar-me.
Desejo isso.
Por quê? Não sei ao certo.
De repente para enxergar o que tenho por dentro.
De repente para ver o que há por dentro
De uma forma mais elaborada,
Não tão rascunhada, embaralhada, segmentada.
Verdade que não escrevo para ser lida.
Escrevo para conseguir ler:
Ler, no sentido de compreender...
Sim! Compreender a mim
Ao mundo, aos espelhos que me cruzam,
As idéias que me atravessam,
Aos humanos que me avessam,
E também aqueles que me abraçam
Me curam, me beijam, se dôoam,
Me doem, me deixam, me sentem,
Me pegam, me cheiram, me dançam...
Sim, eu danço.
E de verdade: é o que realmente me importa.