sexta-feira, junho 25, 2010

Um Abraço

Uma Segunda-Feira. Uma turma de atores.
Faltando cinco dias para a estréia do espetáculo.
Começam a aquecer os corpos, para dar início a mais um ensaio:
- " Agora congela! Enraize os pés na terra. Abra os braços como quem diz: vem! vem pra mim! Estabeleça um olhar com outro. Encontre os olhos do seu colega e vá na sua direção e o abrace! Forte!"
Mas a turma é de número impar!
Alguém vai ficar de fora!
É...neste dia fui eu.
Percebi os olhares se encontrando, um a um, e o meu fálico olhar não achava nenhum receptáculo.
" Justo hoje, meus deus!" pensei. Esses dias que a gente chove por dentro, sabe? E que se tivesse colo de mãe ou de vó, ficaria fácil sacodir a poeira...
Mas minha mãzinha tá longe, como da maioria que vem pra essa cidade grande,
E a minha vózinha também segue vivendo na minha terra natal...
Mas foi neste instante em que todos os abraços se encontraram e me vi só, ali parada no vácuo, de braços abertos, que só me restou uma coisa:
Envolver o meu corpo nos meus braços...
meus pensamentos convergiram para o carinho que eu poderia me dar...e o quanto eu posso também cuidar de mim agora...
Naquele exato instante ouvi a risada de alguém que me observava no exílio de sua própria sensibilidade...
Tive vontade de chorar.
De repente
Sou surpreendida por um dos mais incríveis abraços que já conheci
Era forte, envolvente, negro, robusto, sensível, protetor, aconchegante...
Me arrancou sem cerimônias as lágrimas teimosas de meus pequeninos olhos...
Desaguei feliz...
Brilho o peito ao dizer que:
Era o amor me abraçando!
e eu me entreguei!
Não é que justo neste dia havia faltado um colega.
Que bom...
Estávamos em número par.

domingo, junho 20, 2010

31 de outubro de 2007

" Sinto a realidade
Bater em mim como
As ondas batem na pedra

Tentando furá-las a
qualquer custo.

Eu não quero mais ser a pedra.

Quero ser o pássaro
que pousa na pedra

E quando a onda bate
Ele vôa..."

Poema escrito por mim, nos meus primeiros 7 meses morando sozinha em São Paulo.
Mas seguido ele se torna presente.

quinta-feira, junho 03, 2010

Primeira Postagem

Olá experiência primeira,
Teclados macios com sons de sapatinhos de salto.
Tanto a dizer, tanto a revelar-me.
Desejo isso.
Por quê? Não sei ao certo.
De repente para enxergar o que tenho por dentro.
De repente para ver o que há por dentro
De uma forma mais elaborada,
Não tão rascunhada, embaralhada, segmentada.
Verdade que não escrevo para ser lida.
Escrevo para conseguir ler:
Ler, no sentido de compreender...
Sim! Compreender a mim
Ao mundo, aos espelhos que me cruzam,
As idéias que me atravessam,
Aos humanos que me avessam,
E também aqueles que me abraçam
Me curam, me beijam, se dôoam,
Me doem, me deixam, me sentem,
Me pegam, me cheiram, me dançam...
Sim, eu danço.
E de verdade: é o que realmente me importa.