domingo, julho 04, 2010

Bufão no Padrão

Saio hoje cedo de casa.
Brinco com o pitbull solitário, do prédio comercial à venda a quase um ano, e corro para pegar o ônibus que chega no ponto.
Estou ali distraída quando me percebo no mesmo ponto, na frente do Supermercado Padrão, de frente pra ela, do mesmo ponto: eu no ônibus, ela sentada na calçada.
Com uma sacola de plástico amarela, do próprio supermercado, na cabeça, ela olha sagaz quase rindo para nós...
Nós, seres comuns, vestidos e pagantes, sentados em nossas cadeiras ambulantes.
Mas ela sempre me chama atenção, mas não sabia exatamente...
"talvez o saco amarelo na cabeça, ou seu olhar sempre vivo na sua condição, como será possível?"
Mas hoje eu entendi.
Tirei um papel do bolso e escrevi.
Surgiu na hora, mais ou menos assim:

Bufão no Padrão

Ela olha com gosto
Os olhares cruzados
dos passageiros.
De repente,
ela é a sensação!
E o seu estado de mendicância
Se faz com um sentido maior
pelo reflexo...
"o que será que eles pensam
ao olhar para ela?"
Será que percebem que
ela escolheu um ponto de ônibus
para morar?
Onde tem distração diária
de rostos exóticos,
e curiosos por traz dos vidros.
E mais...
Estes rostos,
a cada ônibus que pára,
Finalmente,
olham pra ela.

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