sexta-feira, junho 24, 2011

Talvez

Acordada pela sua música...saltos em branco e preto das teclas macias do teu peito...criei o mundo em 9 dias...



? È ECOVMEUQEPILEF?

"És o instante em que rio
e se transmuta em mar
Caleidoscópio de silêncio e música
Cornucópia de mutações
Meu talvez.
Meu para sempre
Genuína gota transparente de mistério
Minha sede na aridez urbana
Meu AZUL VIOLÁCEO!
E a sonoridade destas palavras:
AZUL VIOLÁCEO...
Te sinto (à) a flor de minha pele
Regas à francesa esta flor
Com os róseos fluidos femininos de meu ventre.
Arrepio pela eternidade!

Escrevo estas palavras-suicidas
da própria folha em branco, no escuro.
Literalmente com as luzes apagadas.
Mas ignoro.
Afinal, o amor é cego por excelência.

Aproveito-me desta fragilidade
para abraçar-te na solidão do escuro sem ti.
E nos pés delicados
dos seus ouvidos
sussurro este pedido:
" Vem, vem para o meu ninho, meu bem...
vem reescrevê-lo: n-o-s-s-o
Digo-lhe: sou a mulher.
E repito mais uma vez para que me ouças
com todos os poros: Sou A Mulher."
"Por quê?" talvez te acometa.
Te respondo com seiva a raiz da sua pergunta.
Fertilizo tua boca na minha.
E enquanto me beijas,
permita que seus olhos encontrem os meus
É nessa fração de espelhos
que todo o espectro nos é revelado"


Assinado:Passarinha

sexta-feira, maio 06, 2011

Inspiração do processo de criação de Lavoura Arcaica

DESIRE, where are you?              ou
Oração do desejo de desejar


" O que eu quero?
Eu quero poder olhar para uma boca rosa
E desejá-la tanto a ponto de sentir o gosto
dos seus lábios vertendo mel.
E logo, quando eu olhar para o lado,
bem assim, distraída
Sentir as asas dos olhos, donos desses mesmos lábios,
fazendo dos meus figos também o seu alvo certo,
o seu pouso, o seu ninho.
E tão em breve, sábio tempo...( é um pedido)
Mordido será, o fruto sedento,
Em um beijo fecundo.
Desvirginando a nova Rainha.
Regando o pólen ainda em botão.
Despindo, pétala por pétala,
as frestas da futura paixão, com o néctar
das salivas que se alquimiam.
(Cremando a angústia de um olhar nublado,
sem destino, desfocado, miúpe, vulnerável, impotente,
solitário.)
As carnes das frutas delicadas vão dançando
horas de tensão e horas de leveza
Perfundo
Perfumando, fundo,
a nudez úmida dos olhos,
com o espectro de todas as cores infinitas
das flores mais exóticas, das florestas mais densas e intocáveis
Lançando estrelas ao universo da menina dos olhos!
Coroando-a com o brilho de um olhar ensolarado
ás vezes, também, chuvoso...
Genuíno.
Fértil.
Desabrochado."


Adriane Lopes.


Escrito dia 5 de maio de 2011 às 2h da manhã.

quarta-feira, março 23, 2011

Inspirado numa história real

Noite de domingo sozinho
Ele resolve ligar pra ela
Ela finge não esperar mais
Uma antiga história mal vivida do passado
dessas que tentam se fazer presentes, só de vez enquando, sem esforço algum e ficam chateando igual garoa a vida da gente, sabe?
Mas aquele dia, era equinócio de outuno, lua cheia...(de repente foi isso)
Ele pegou o telefone e ligou, para o telefone da casa:
(Melhor ligar pra casa dela, se ela estiver é por que...).
ela atende.
ele diz: oi, tudo bem com vc?
ela: tudo bem e vc?
ele: não quis curtir uma noite paulistana hoje?
ela: nada...tenho que dar aula amanhã cedo...e vc?
ele: também...tô em casinha...
pausa
curta
ele rindo como se estivesse fazendo uma brincadeira: quer vir pra cá?
pausa pausa
ela responde séria, falando com verdade: quer vir pra cá?
ele sorri sem jeito
ele: o que você vai fazer comigo se eu for?
ela ri, sacando que ele tava afim de jogo (por que não diz: me espera acordada!?)
ela: ah não sei...vem e a gente descobre juntos...
ele: não me provoca que eu vou...
ela pausa longamente, sentindo o odor do receio (ele não vai vir)
ele: eu tô com vontade...mas você mora tão longe...
ela: quando a vontade é grande não é longe...
ele sorri
pausa longa
ela: longe é eu não te convidar par vir
pausa
mais longe seria se eu nem te quisesse...
pausa curtíssima
mas acho que já tá meio tarde, na real preciso desligar por que amanhã vai ser um dia cheio e a semana tá recém começando...então...
ele: ah, claro, tudo bem...boa noite então...dorme bem...
ela: boa noite...
ele: bons sonhos...
ela: pra você também...
ele: então, tchau...vou desligar...
ela: tchau. ( e desliga)

ele pega o carro e decidi ir até à casa dela...ele chega na frente da casa, desce do carro devagar, como um fugitivo da própria razão...(mal sabe ele  que isso era tudo o que ela queria que ele fizesse)
Apenas uma luzinha de tv ligada na sala...ele imagina o perfume dos cabelos dela no travesseiro, mas os pensamentos correm logo para seus beijos molhados, sua pele macia e doce...(que saudade ressentida daquilo que não vivemos...)

ele não sabe e nem nunca soube como entrar nessa casa, nessa vida, nessa mulher...ele entra no carro com um sentimento de desamparo ( por que eu vim aqui?...se ela quisesse...teria pelo menos...enfim)

No outro dia ele recebe de uma amiga um bilhete que dizia mais ou menos assim:

"o amor é como as palavras...
é preciso esperar que ele decante...
tudo bem, eu espero, meu bem... 
Num aposto, te entrego a chance de nos celebrar em cantos!"

Ele lê, e pergunta: o que é isso?
amiga: pediram para eu te entregar.
ele: quem?
amiga: uma amiga nossa em comum...
ele ri: temos muitas...sacanagem...qual delas...?
amiga: ela disse que o dia que você souber quem te mandou esse bilhete é o dia que você vai poder tomar uma atitude em relação a ele. 
Não posso te contar...ele é seu.


ele ri.
e-l-e-r-i.
talvez nunca entenda.
talvez nunca saiba.
talvez continue a cruzar na tangente do seu amor, criando suas parelelas mentais sem sequer suspeitar a grave espera. 
talvez ele desperte.
talvez ela encontre um novo amor e não mais o espere.
talvez ele encontre um novo amor e nunca mais lembre do bilhete
talvez esse seja o fim mais provável.
talvez o bilhete sempre pulse no cantinho escuro do coração dele.
Talvez ainda guarde em segredo, que nunca quis saber quem havia mandado aquele pedaço de papel, 
Não por descaso, ou ignorância...
....mas só para poder imaginar, 
assim...
de vez enquando, 
que quem havia escrito aquelas palavras entregues,
poderia ter sido ela.

Breu

Música composta no chat do facebook com Dani Nega
Numa dessas madrugadas carentes de nosso sampa
Ae vai:

Breu


As flechas vem certeiras
Na velocidade da luz
Me desapego de tudo que me seduz
Deixo apenas o ar me levar
Conduzindo meus movimentos
Na nesga do seu olhar
como em um sonho bom vc veio
e ao despartar sumiu
a flecha acertou o alvo
meu coração partiu
Restos de contradições
Ruas sem saídas
Memorias doidas
Esquinas vazias
Vou perdendo o jeito
A ginga
A mandinga
grito para o mundo
me deságuo no fundo
pois a flecha acertou o alvo
e agora sou escuro

sexta-feira, março 18, 2011

Do mesmo fim

Hoje pensando em uma nova desilusão encontrei alguns escritos sobre uma desilusão antiga...não tão velha assim...mas anterior à atual.
Não é que descobri nessas palavras rabiscadas a verossimilhança ridícula que as duas têm em comum:
Uma sensação de criança esquecida na escola
Cartinha de amor anônima do menino errado
Olhar vazio, nublado
Coração sem ânimo
Sorriso esgotado
Bingo enganado
O tempo encerrado
Beijo rijo

Comer gripado
Chá morno
Dançar sem rítmo
O tic-tac
Sentir o beijo dele em pensamento
'Perder o dia da prova, pior:
o dia da matrícula'
Garoa nos óculos de grau
Furar o cano tentando pendurar a saboneteira
Dar branco em cena
DIZER NÃO QUERENDO DIZER SIM.

Ou, aquela vontade melodramática de dizer:
" Ei, o que eu signifiquei? Se é tão fácil se afastar de mim...?"
Fica toda a curiosidade se auto-afirmando no SE das infinitas possibilidades
E então surgem as justificativas:
"Ah, mas ele resolveu tudo tão rápido, respondeu tudo tão fácil, aceitou tudo tão simples..."
O que eu queria?
"Que ele me agarrasse..."( sempre uma atitude rompante)
"Terminasse o namoro apagado, botasse a mochila nas costas e fosse comigo para o mundo! (ou altamente hipotética) Vamos?
O surto bipolar ansioso por uma decisão cartesiana:
"Ai, pára de fingir,
se decide, faz alguma coisa...
ou então não brilha o olho quando olha pra mim...
ou me beija...(sempre dando mais uma chance)
Se apropria de mim ou me olha como amigo"
Olhar de amigo:
Será que esse lugar existe?
"Já tivemos carinho puro só de carinho?
Algum dia tivemos?"
Acho que não."
"Um dia teremos?
Também acho que não"
Um sorriso triste no canto dos lábios se instala
sobre a incerteza daquilo que aquilo é ou um dia poderia vir a ser mas não foi.

Perpetuo

Uma tristeza se apoderou de mim.
Enquanto eu levava minhas manequins para o camarim,
Ele se ofereceu para me ajudar
Demorou...
Esperei...
Ele chegou.
Fui beijá-lo carimbando a nossa cumplicidade, aparentemente, tácita daquele momento
Mas seu peito, seu centro, sua pélvis, seu sexo se distanciaram do meu corpo
e sua boca fechada num beijo empurrou o meu beijo para que ele voltasse de onde veio
Me lambeu brincando com nossa atração e depois limpou o beijo
Se olhou no espelho e comentou comigo preocupado que minha maquiagem cênica estava brilhando em seu rosto
Como uma criança ou uma adolescente contrariada dei de ombros e dei as costas também para ele
"Quer saber?" Eu disse, " Eu não tô nem aí!"
Foi então que ele entregou seus medos numa bandeija pra mim:
A recusa dos meus olhares, do meu desejo...
O olhar nublado e carregado de um silêncio surdo que me trazia há dias
Que jogava sobre mim...
Sem nenhum sorriso ou brincadeira de amantes mais...
Ele disse: " É...mas eu tô "!
Essa pequena frase-reativa beliscou fininho meu coração
E meu orgulho, claro!
A última fala tinha que ser minha:
" Eu quero viver, meu filho..."
Eu?
Quero VIVER!
Pode me esquecer...
Depois dessa, é o que me obrigo a fazer.