quarta-feira, março 23, 2011

Inspirado numa história real

Noite de domingo sozinho
Ele resolve ligar pra ela
Ela finge não esperar mais
Uma antiga história mal vivida do passado
dessas que tentam se fazer presentes, só de vez enquando, sem esforço algum e ficam chateando igual garoa a vida da gente, sabe?
Mas aquele dia, era equinócio de outuno, lua cheia...(de repente foi isso)
Ele pegou o telefone e ligou, para o telefone da casa:
(Melhor ligar pra casa dela, se ela estiver é por que...).
ela atende.
ele diz: oi, tudo bem com vc?
ela: tudo bem e vc?
ele: não quis curtir uma noite paulistana hoje?
ela: nada...tenho que dar aula amanhã cedo...e vc?
ele: também...tô em casinha...
pausa
curta
ele rindo como se estivesse fazendo uma brincadeira: quer vir pra cá?
pausa pausa
ela responde séria, falando com verdade: quer vir pra cá?
ele sorri sem jeito
ele: o que você vai fazer comigo se eu for?
ela ri, sacando que ele tava afim de jogo (por que não diz: me espera acordada!?)
ela: ah não sei...vem e a gente descobre juntos...
ele: não me provoca que eu vou...
ela pausa longamente, sentindo o odor do receio (ele não vai vir)
ele: eu tô com vontade...mas você mora tão longe...
ela: quando a vontade é grande não é longe...
ele sorri
pausa longa
ela: longe é eu não te convidar par vir
pausa
mais longe seria se eu nem te quisesse...
pausa curtíssima
mas acho que já tá meio tarde, na real preciso desligar por que amanhã vai ser um dia cheio e a semana tá recém começando...então...
ele: ah, claro, tudo bem...boa noite então...dorme bem...
ela: boa noite...
ele: bons sonhos...
ela: pra você também...
ele: então, tchau...vou desligar...
ela: tchau. ( e desliga)

ele pega o carro e decidi ir até à casa dela...ele chega na frente da casa, desce do carro devagar, como um fugitivo da própria razão...(mal sabe ele  que isso era tudo o que ela queria que ele fizesse)
Apenas uma luzinha de tv ligada na sala...ele imagina o perfume dos cabelos dela no travesseiro, mas os pensamentos correm logo para seus beijos molhados, sua pele macia e doce...(que saudade ressentida daquilo que não vivemos...)

ele não sabe e nem nunca soube como entrar nessa casa, nessa vida, nessa mulher...ele entra no carro com um sentimento de desamparo ( por que eu vim aqui?...se ela quisesse...teria pelo menos...enfim)

No outro dia ele recebe de uma amiga um bilhete que dizia mais ou menos assim:

"o amor é como as palavras...
é preciso esperar que ele decante...
tudo bem, eu espero, meu bem... 
Num aposto, te entrego a chance de nos celebrar em cantos!"

Ele lê, e pergunta: o que é isso?
amiga: pediram para eu te entregar.
ele: quem?
amiga: uma amiga nossa em comum...
ele ri: temos muitas...sacanagem...qual delas...?
amiga: ela disse que o dia que você souber quem te mandou esse bilhete é o dia que você vai poder tomar uma atitude em relação a ele. 
Não posso te contar...ele é seu.


ele ri.
e-l-e-r-i.
talvez nunca entenda.
talvez nunca saiba.
talvez continue a cruzar na tangente do seu amor, criando suas parelelas mentais sem sequer suspeitar a grave espera. 
talvez ele desperte.
talvez ela encontre um novo amor e não mais o espere.
talvez ele encontre um novo amor e nunca mais lembre do bilhete
talvez esse seja o fim mais provável.
talvez o bilhete sempre pulse no cantinho escuro do coração dele.
Talvez ainda guarde em segredo, que nunca quis saber quem havia mandado aquele pedaço de papel, 
Não por descaso, ou ignorância...
....mas só para poder imaginar, 
assim...
de vez enquando, 
que quem havia escrito aquelas palavras entregues,
poderia ter sido ela.

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