sexta-feira, março 18, 2011

Perpetuo

Uma tristeza se apoderou de mim.
Enquanto eu levava minhas manequins para o camarim,
Ele se ofereceu para me ajudar
Demorou...
Esperei...
Ele chegou.
Fui beijá-lo carimbando a nossa cumplicidade, aparentemente, tácita daquele momento
Mas seu peito, seu centro, sua pélvis, seu sexo se distanciaram do meu corpo
e sua boca fechada num beijo empurrou o meu beijo para que ele voltasse de onde veio
Me lambeu brincando com nossa atração e depois limpou o beijo
Se olhou no espelho e comentou comigo preocupado que minha maquiagem cênica estava brilhando em seu rosto
Como uma criança ou uma adolescente contrariada dei de ombros e dei as costas também para ele
"Quer saber?" Eu disse, " Eu não tô nem aí!"
Foi então que ele entregou seus medos numa bandeija pra mim:
A recusa dos meus olhares, do meu desejo...
O olhar nublado e carregado de um silêncio surdo que me trazia há dias
Que jogava sobre mim...
Sem nenhum sorriso ou brincadeira de amantes mais...
Ele disse: " É...mas eu tô "!
Essa pequena frase-reativa beliscou fininho meu coração
E meu orgulho, claro!
A última fala tinha que ser minha:
" Eu quero viver, meu filho..."
Eu?
Quero VIVER!
Pode me esquecer...
Depois dessa, é o que me obrigo a fazer.

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