segunda-feira, dezembro 07, 2015

Me lama

( Poema de 2013/2015 - hoje com tudo que está acontecendo em Mariana, encontro este poema entre meus escritos...)

Poesia é quando as minhas mãos
Amaciam o tijolo permissivo
Ainda em incógnita argila

E entre a massagem
Vamos nos untando
Até se fazer moringa
Jarro de barro
Filtro
Mistério
Escuro
Ventre
De terra
Fresca.

E quando minhas mãos
em concha
Se molham
Indecifráveis
Da doçura
Afinal,
tão confundida

Brota a poesia
N’ água que bebo
todas as manhãs
Para matar
a sede.



quarta-feira, novembro 04, 2015

Um pouco mais

 Continuando a postar minhas poesias encontradas perdidas entre tantos cadernos velhos, de uma viciada em PAPELARIA.


"São Paulo, março de 2013, hoje.

E tantas as vontades de ser flor, de ser poesia, pedra, ave, pena, voo, suspensão, onda, mar, oceano, profundidade, escuridão, ventre estrelado, placenta humorosa, mãe aterrada, eternidade e de velocidades da luz. Luz de mil anos de aniversario...indizível ou indivisível?

Ouvindo zé Miguel.
É quando a poesia te faz escrever.
E ponto.

Uma mistura de Gil, Milton e Caetano, bem lado B. Cheio de dissonantes, lentidões e 
palavras privilegiadas.

Como ‘delicadeza’.

Reluto escrever, não sei. Tenho medo de ser o que fingimos ser. 
Superficialmente artificiais."

segunda-feira, novembro 02, 2015

Intuição Feminina


Estou de coração feliz
As malas prontas para ficar
Acampar na minha infância
E de repente construir
Aquela tão sonhada
Casa na árvore
E convidar os amiguinhos
Para dormir nela e
Passarmos a madrugada
Inteira acordados
Entre histórias e velas
Como fazíamos nas barracas
De lençol amontoados





Estou saindo do casulo
Qual lagarta
Que se quer prevê o futuro
De repente asas
Cores, brisas, flores,
Magias.
O otimismo volta a fazer
Parte do meu dia a dia
E eu volto a me sentir
Mais feminina
Por que a intuição
Nos dá isso
Um pouco de humor
Um pouco de fé
Um pouco de cor
De alegria
Sabor
Ousadia
A intuição é como a natureza
Nus
Renova como o dia
Cada um com a sua sina
Um dia chove
O outro
Quem sabe?
Um arco-íris
Um tempero entre os dedos
Um beijo molhado
Uma palavra nova
Um assovio em melodia
Um suspiro do acaso
Uma faísca da vida
Tal qual
Intuição
Feminina.






O futuro

E quando você me quiser
Espero ainda te querer também.
Não que eu saiba de sabença
que ainda te quero.
Mas é que não gosto de desperdícios...
Um amor assim tão raro
É de doer supor que
pode nunca mais acontecer.
E saber assim
Que tem coisas que carregam
sim
o aviso do fim.

PS: Nossos beijos são abraços
que nossas bocas não conseguem desfazer.






As coisas.

Foi quando comecei a abrir as gavetas da cômoda antiga da minha memória
Como alguém estranho
fui adentrando àquele quarto
Como uma intrusa
de mim mesma
da minha privacidade oculta
Abri a primeira gaveta
(eram tantas)
Pesada.
Teias
Tecidos.
Os figurinos que você experimentou pra mim.
Cores.
Abraçadas.
Fotos.
Tantas do meu olhar. Do seu.
A carta do meu tarô que você roubou, eu sei, viu?
Amores feitos. Seus lugares ousados.
Beijos.
O beijo roubado na sala escura de ensaio
Bilhetes.
Aquele até breve antes de você viajar o mundo.
Ingressos.
Aquele show inesquecível da Bethânea.
Pessoas tão só delas
Aquela pulseirinha de pedrinhas coloridas que você me deu.
Instantes tão meus
que se
foram. Mas os tenho. Posso ver. Posso sentir.

- Quero abrir todas elas! Pensei.
Quero conhecer os segredos de todas essas pessoas...
Dentro de mim.
O segredo que guardo por cada uma delas
Quero me reencontrar com todos que habitam essas memórias.
Não serão apenas objetos obsoletos de lembrança...

Para quê? Alguma delas perguntou?
Para lembrar...alguém gritou.
Para não esquecer....outra respondeu, e poder envelhecer.
Ah,
Entendi,
Para
Não esquecer
o amor
que mora nos cheiros.
Para isso que as coisas existem
Para atravessar as fendas do tempo.
E refazer o que precisa ser feito.
Mesmo que em pensamento.

quinta-feira, outubro 22, 2015

Grávida Espera

"Mulher Enluarada
Esperante de delicadezas
Minúcias certezas
Pele
Olhos
Boca
Coração
Guizos
Miudezas.
Saudade
Abstrata
De encontrar você
Para além de dentro
(tão protegido, tão meu, tão eu).
Olhar nos seus olhos
Nunca antes vistos
(Espelhos do mar profundo
das águas que te moldaram Ser).
E ver meus traços
em ti
pela natureza - amor - maior
esculpidos
Filhos do cupido
Em tantas madres
Tantos rios
jaz nascidos
E eu ainda em botão
A desabrochar
Inteira
Contigo"

Morena


quarta-feira, outubro 21, 2015

Deus?

- Quem é você?
que fala dentro de mim?

- Eu sou o Amor,
alguns me chamam de Deus.

e sentenciou:

Mas quando me chamas de Amor,
consegues te sentir amado.

RE A VER

" Meus olhos
estão cheios de areia
e as águas salgadas
insistem em
desmanchar os castelos
da minha falsa
visão
cachoeiras de mar
são como o ar
para meu olhos
voltarem
a respirar
re
encher
gar"


terça-feira, outubro 20, 2015

Divagando V

"Já dormi
Com o horóscopo
Inteiro
Mas só você
Me faz tocar
As estrelas
Desperta"

Morena



Divagando IV

Cor é
Alegria
Por isso
A Natureza
Vive
A sorrir
Pra gente.

Morena


amor de mãe

Você é aquela formiguinha
Trabalhadeira
Que eu observo
E me vejo
De novo
Criança




Para uma performance/ Baseada em fatos reais

Do Território: algo que me fez renascer em plena Consolação.
Um belo dia.
Hora do rush em São Paulo.
Trânsito.
Caminho perto do delicioso açaí que fica perto da Angélica, quem sobe a pé. 'Sem ser de Táxi.' 
Estou com meu pequeno e útil fone de ouvido.
Que me fazia delirar em dias de sol como aquele.
Dancei e cantei bem alto. Devia ser Bethânea - Encanteria.
Pessoas estacionadas dentro dos ônibus não entendiam. Eu podia sentir.
Meus braços se abriram e a voz saiu mais alto.
Quando meus olhos se deram conta um mendigo caminhava na minha direção:
De braços abertos ele cruzava a paulicéia desvairada, e eu não ousei fechar os meus.
Fomos seguindo... cerca de dez passos dei em sua direção...
Não faço idéia de a quanto tempo ele seguia na minha.
Quem estava mirando do ônibus teria essa informação precisa.
Quando abri os meus olhos que viam sem enxergar. Me deparei com aquele sorriso que me convidava a continuar.
Viver aquele nosso instante precioso, portanto único: um abraço forte e carregado de sentido.
Era um estranho.
Um homem que vive nas ruas de São Paulo.
Ao me abraçar forte e respeitosamente cheio de paixão, me disse coisas ao ouvido. Senti que eram belas.
Nessa hora eram os ouvidos que não escutavam.
Só a música ensurdecedora e corajosa nos embalava. Me embalava.
As palavras ecoavam na eternidade das estrelas. E evocavam a pureza mais doce daquele ser.
Queria ter tirado os fones e beber de suas profecias, aceitar suas bênçãos, mas decidi apenas viver fisicamente aquela entrega. Aquela surpresa. Aquele carinho. Que duraria tão pouco.
De um estranho em SP.
Um homem das ruas.
Um homem que vive do acaso.
E me abria a ensolarar os cantos escuros de minha casa.
Que um dia viraria memória.
Era um abraço de encontro e de despedida.
Seguimos nossos caminhos sorrindo pela Consolação acima rumo e pela Consolação abaixo, ambos rumo a Liberdade.
PARA A PERFORMANCE DE CARROBÉ:
Ação primeira: comer o açaí. Por volta do fim do dia.
Esperar o Rush.
Ação Segunda: com uma deliciosa música aos ouvidos, cantar e dançar próximo aos parados ônibus da consolação.
Ação Terceira: abrir os braços pela Paulista até ganhar um abraço de um estranho.
Este será o meu abraço.
E meu presente.
E quer dizer que:  mesmo se eu não te conhecesse EU TE AMARIA.

Divagando III

" A SABEDORIA
É UM PÁSSARO
PLANANDO"

Morena


Divagando II

" A ansiedade é um lugar
onde você nunca está."


Tomara

"Quem dera você vire poesia
Canção
Substrato de intenção
Reconfiguração
Que eu renasça do
Resto que sobrou da ilusão."

Morena


terça-feira, janeiro 27, 2015

Arteira Menina dos Olhos

" por que fazer poesia é fotografar em grafismos
lê-las é enredar os dedos às palavras nuas
e dizê-las é uivar em oração"

Adriane Lopes


Orvalho-me

"Na claridade das manhãs
Sento-me à mesa
E ao lado da esperança 
Transvejo o invisível
Para além da flor
O Orvalho
Que se inspirou
E
Expirou"


Adriane Lopes