terça-feira, outubro 20, 2015

Para uma performance/ Baseada em fatos reais

Do Território: algo que me fez renascer em plena Consolação.
Um belo dia.
Hora do rush em São Paulo.
Trânsito.
Caminho perto do delicioso açaí que fica perto da Angélica, quem sobe a pé. 'Sem ser de Táxi.' 
Estou com meu pequeno e útil fone de ouvido.
Que me fazia delirar em dias de sol como aquele.
Dancei e cantei bem alto. Devia ser Bethânea - Encanteria.
Pessoas estacionadas dentro dos ônibus não entendiam. Eu podia sentir.
Meus braços se abriram e a voz saiu mais alto.
Quando meus olhos se deram conta um mendigo caminhava na minha direção:
De braços abertos ele cruzava a paulicéia desvairada, e eu não ousei fechar os meus.
Fomos seguindo... cerca de dez passos dei em sua direção...
Não faço idéia de a quanto tempo ele seguia na minha.
Quem estava mirando do ônibus teria essa informação precisa.
Quando abri os meus olhos que viam sem enxergar. Me deparei com aquele sorriso que me convidava a continuar.
Viver aquele nosso instante precioso, portanto único: um abraço forte e carregado de sentido.
Era um estranho.
Um homem que vive nas ruas de São Paulo.
Ao me abraçar forte e respeitosamente cheio de paixão, me disse coisas ao ouvido. Senti que eram belas.
Nessa hora eram os ouvidos que não escutavam.
Só a música ensurdecedora e corajosa nos embalava. Me embalava.
As palavras ecoavam na eternidade das estrelas. E evocavam a pureza mais doce daquele ser.
Queria ter tirado os fones e beber de suas profecias, aceitar suas bênçãos, mas decidi apenas viver fisicamente aquela entrega. Aquela surpresa. Aquele carinho. Que duraria tão pouco.
De um estranho em SP.
Um homem das ruas.
Um homem que vive do acaso.
E me abria a ensolarar os cantos escuros de minha casa.
Que um dia viraria memória.
Era um abraço de encontro e de despedida.
Seguimos nossos caminhos sorrindo pela Consolação acima rumo e pela Consolação abaixo, ambos rumo a Liberdade.
PARA A PERFORMANCE DE CARROBÉ:
Ação primeira: comer o açaí. Por volta do fim do dia.
Esperar o Rush.
Ação Segunda: com uma deliciosa música aos ouvidos, cantar e dançar próximo aos parados ônibus da consolação.
Ação Terceira: abrir os braços pela Paulista até ganhar um abraço de um estranho.
Este será o meu abraço.
E meu presente.
E quer dizer que:  mesmo se eu não te conhecesse EU TE AMARIA.

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