quarta-feira, novembro 04, 2015

Um pouco mais

 Continuando a postar minhas poesias encontradas perdidas entre tantos cadernos velhos, de uma viciada em PAPELARIA.


"São Paulo, março de 2013, hoje.

E tantas as vontades de ser flor, de ser poesia, pedra, ave, pena, voo, suspensão, onda, mar, oceano, profundidade, escuridão, ventre estrelado, placenta humorosa, mãe aterrada, eternidade e de velocidades da luz. Luz de mil anos de aniversario...indizível ou indivisível?

Ouvindo zé Miguel.
É quando a poesia te faz escrever.
E ponto.

Uma mistura de Gil, Milton e Caetano, bem lado B. Cheio de dissonantes, lentidões e 
palavras privilegiadas.

Como ‘delicadeza’.

Reluto escrever, não sei. Tenho medo de ser o que fingimos ser. 
Superficialmente artificiais."

segunda-feira, novembro 02, 2015

Intuição Feminina


Estou de coração feliz
As malas prontas para ficar
Acampar na minha infância
E de repente construir
Aquela tão sonhada
Casa na árvore
E convidar os amiguinhos
Para dormir nela e
Passarmos a madrugada
Inteira acordados
Entre histórias e velas
Como fazíamos nas barracas
De lençol amontoados





Estou saindo do casulo
Qual lagarta
Que se quer prevê o futuro
De repente asas
Cores, brisas, flores,
Magias.
O otimismo volta a fazer
Parte do meu dia a dia
E eu volto a me sentir
Mais feminina
Por que a intuição
Nos dá isso
Um pouco de humor
Um pouco de fé
Um pouco de cor
De alegria
Sabor
Ousadia
A intuição é como a natureza
Nus
Renova como o dia
Cada um com a sua sina
Um dia chove
O outro
Quem sabe?
Um arco-íris
Um tempero entre os dedos
Um beijo molhado
Uma palavra nova
Um assovio em melodia
Um suspiro do acaso
Uma faísca da vida
Tal qual
Intuição
Feminina.






O futuro

E quando você me quiser
Espero ainda te querer também.
Não que eu saiba de sabença
que ainda te quero.
Mas é que não gosto de desperdícios...
Um amor assim tão raro
É de doer supor que
pode nunca mais acontecer.
E saber assim
Que tem coisas que carregam
sim
o aviso do fim.

PS: Nossos beijos são abraços
que nossas bocas não conseguem desfazer.






As coisas.

Foi quando comecei a abrir as gavetas da cômoda antiga da minha memória
Como alguém estranho
fui adentrando àquele quarto
Como uma intrusa
de mim mesma
da minha privacidade oculta
Abri a primeira gaveta
(eram tantas)
Pesada.
Teias
Tecidos.
Os figurinos que você experimentou pra mim.
Cores.
Abraçadas.
Fotos.
Tantas do meu olhar. Do seu.
A carta do meu tarô que você roubou, eu sei, viu?
Amores feitos. Seus lugares ousados.
Beijos.
O beijo roubado na sala escura de ensaio
Bilhetes.
Aquele até breve antes de você viajar o mundo.
Ingressos.
Aquele show inesquecível da Bethânea.
Pessoas tão só delas
Aquela pulseirinha de pedrinhas coloridas que você me deu.
Instantes tão meus
que se
foram. Mas os tenho. Posso ver. Posso sentir.

- Quero abrir todas elas! Pensei.
Quero conhecer os segredos de todas essas pessoas...
Dentro de mim.
O segredo que guardo por cada uma delas
Quero me reencontrar com todos que habitam essas memórias.
Não serão apenas objetos obsoletos de lembrança...

Para quê? Alguma delas perguntou?
Para lembrar...alguém gritou.
Para não esquecer....outra respondeu, e poder envelhecer.
Ah,
Entendi,
Para
Não esquecer
o amor
que mora nos cheiros.
Para isso que as coisas existem
Para atravessar as fendas do tempo.
E refazer o que precisa ser feito.
Mesmo que em pensamento.