segunda-feira, novembro 02, 2015

As coisas.

Foi quando comecei a abrir as gavetas da cômoda antiga da minha memória
Como alguém estranho
fui adentrando àquele quarto
Como uma intrusa
de mim mesma
da minha privacidade oculta
Abri a primeira gaveta
(eram tantas)
Pesada.
Teias
Tecidos.
Os figurinos que você experimentou pra mim.
Cores.
Abraçadas.
Fotos.
Tantas do meu olhar. Do seu.
A carta do meu tarô que você roubou, eu sei, viu?
Amores feitos. Seus lugares ousados.
Beijos.
O beijo roubado na sala escura de ensaio
Bilhetes.
Aquele até breve antes de você viajar o mundo.
Ingressos.
Aquele show inesquecível da Bethânea.
Pessoas tão só delas
Aquela pulseirinha de pedrinhas coloridas que você me deu.
Instantes tão meus
que se
foram. Mas os tenho. Posso ver. Posso sentir.

- Quero abrir todas elas! Pensei.
Quero conhecer os segredos de todas essas pessoas...
Dentro de mim.
O segredo que guardo por cada uma delas
Quero me reencontrar com todos que habitam essas memórias.
Não serão apenas objetos obsoletos de lembrança...

Para quê? Alguma delas perguntou?
Para lembrar...alguém gritou.
Para não esquecer....outra respondeu, e poder envelhecer.
Ah,
Entendi,
Para
Não esquecer
o amor
que mora nos cheiros.
Para isso que as coisas existem
Para atravessar as fendas do tempo.
E refazer o que precisa ser feito.
Mesmo que em pensamento.

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