segunda-feira, dezembro 07, 2015

Me lama

( Poema de 2013/2015 - hoje com tudo que está acontecendo em Mariana, encontro este poema entre meus escritos...)

Poesia é quando as minhas mãos
Amaciam o tijolo permissivo
Ainda em incógnita argila

E entre a massagem
Vamos nos untando
Até se fazer moringa
Jarro de barro
Filtro
Mistério
Escuro
Ventre
De terra
Fresca.

E quando minhas mãos
em concha
Se molham
Indecifráveis
Da doçura
Afinal,
tão confundida

Brota a poesia
N’ água que bebo
todas as manhãs
Para matar
a sede.